Avanço Também no EsporteO goleiro de lata você iria gostar de ver jogando no seu time. Ele não tem mãos, é verdade, mas seu raciocínio é ultra-rápido e sua velocidade impressiona. Em apenas quatro décimos de segundo, ele calcula a trajetória de um chute e, com um impulso potente, joga seu corpo contra a bola, para fazer a defesa.
– Ele é melhor do que qualquer goleiro da Bundesliga (a primeira divisão do futebol alemão). Agarra chutes nos cantos como nenhum profissional – jura Mathias Maurmeier, referindo-se a Goalias, o goleiro computadorizado desenvolvido por ele e outros cientistas da Universidade de Stuttgart (Alemanha).
Feito de uma placa de metal recortada em forma de um homem, Goalias se move sobre um trilho de um lado ao outro da linha do gol. Três câmeras identificam e seguem a trajetória da bola, enquanto um computador calcula a direção e aciona dois motores elétricos. Estes impulsionam Goalias ao encontro da bola a até 60 km/h. Mas ele tem um ponto fraco: chutes em curva.
– Se o jogador der um chute potente e em curva, terá boas chances de derrotá-lo – admite Peter Göhner, outro cientista da equipe.
Foi o que fizeram duas jogadoras da seleção feminina da Alemanha, atual campeã mundial, que anotaram gols no até então invencível Goalias numa prova realizada no final de maio. No entanto, os criadores do goleiro de lata continuam fazendo ajustes e preparando-o para um desafio ainda maior: os chutes do atacante do Stuttgart e da seleção da Alemanha Mario Gomez.
Mas se jogadores robóticos ainda parecem uma realidade distante, o uso de árbitros eletrônicos pode não estar longe assim. Conforme o Orange Future of Footbal Report 2008, um amplo estudo sobre o impacto da tecnologia no futebol, em 2020 os bandeirinhas terão sido substituídos por sensores de luz, que sinalizarão com precisão as saídas de bola do campo e os gols.
Também as chuteiras terão sensores para identificar os jogadores e transmitir as informações para computadores. Desta forma, será possível registrar a posição de cada atleta dentro de campo, identificando, por exemplo, situações de impedimento.
O estudo, encomendado pela Orange - empresa britânica de telefonia celular - e conduzido pelo Future Laboratory, tentou mapear a evolução tecnológica do futebol nos próximos 12 anos e o impacto entre os clubes, os jogadores e os torcedores.
Para os fãs, aliás, as novidades serão muitas, a começar pela própria maneira de assistir aos jogos. Nos estádios, os assentos serão equipados com pequenos monitores, que mostrarão imagens de câmeras de vários ângulos. Quem ficar em casa, verá a partida como se estivesse à beira do campo, em telas que projetam imagens holográficas em três dimensões. Os jogos também poderão ser baixados para o telefone celular, e vistos na hora que o torcedor desejar. Tecnologia Fora dos Campos
Fora de campo, a tecnologia também estará presente no futebol em 2020. Os médicos, por exemplo, poderão usar terapia genética para encurtar o tempo de recuperação de jogadores machucados. Avanços na área da nutrição e da genética influenciarão a dieta e a saúde dos atletas, que "atingirão desempenho muito além do que se pode imaginar atualmente", diz o relatório Orange Future of Footbal Report 2008.
A nanotecnologia será utilizada na fabricação de uniformes que não apenas evitarão lesões e controlarão o suor, mas permitirão que as marcas dos patrocinadores sejam alteradas durante a partida, graças a sensores colocados nas camisetas.
– Algumas projeções parecem tiradas de um livro de ficção científica, mas são uma realidade ao nosso alcance, só esperando para acontecer – diz Tom Savigar, do Future Laboratory.